Cozinha Judaica e Kasher

Matérias e receitas sobre história da gastronomia judaica. Matérias sobre judaísmo em geral Diferenças entre ASHKENAZI E SEFARADI QUANTO A ALIMENTAÇÃO

Cozinha Judaica e Kasher

Matérias e receitas sobre história da gastronomia judaica. Matérias sobre judaísmo em geral Diferenças entre ASHKENAZI E SEFARADI QUANTO A ALIMENTAÇÃO
<  Novembro 2006  >
S T Q Q S S D
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30      
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2006

10.11.06

YOM KIPUR - DIA DO PERDÃO

                                                      YOM KIPUR

O Dia do Perdão Judaico


Para falarmos de Yom Kipur temos que citar Rosh Hashana, porque são as festas mais importantes dos Judeus, além do Yom Kipur ser 10 dias após Rosh Hashaná.

Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, é observado no primeiro e no segundo dias de Tishrei, o sétimo mês do calendário judaico. Esse ano, 2006, caiu em 22 (véspera), 23 e 24 de setembro.

"Que você seja inscrito no Livro da Vida"

Esta é a saudação usual durante esse período e, acredita-se, que, em Rosh Hashaná, o destino da humanidade seja registrado por "D'us¹ no Livro da Vida

No Yom Kipur, o livro é fechado e lacrado. Um Ano Novo bom e feliz é concedido àqueles que se arrependeram dos seus pecados.

O Yom Kipur é o dia mais solene judaísmo. É o tempo em que se eleva a alma para perto do Trono e Balança Divina. É o início de um dia de jejum e abstinência, quando o material se submete ao espiritual e cada judeu vai examinar seus atos e buscar perdão pelos erros que cometeu contra D'us. É um dia de arrependimento e perdão.





Torah
Sem a possibilidade do arrependimento, o mundo não poderia existir, já que ao criar o homem com o livre arbítrio - a liberdade de escolha entre o bem e o mal - D'us deu-lhe a possibilidade de errar, de se afastar Dele. Mas ofereceu-lhe, também, a possibilidade de voltar para Ele, a possibilidade de mudar o curso de sua vida, de arrepender-se, de "aproximar-se de D'us, afastando-se do pecado," de fazer teshuvá (arrependimento, retorno ao bem). O Talmud afirma que "Sete elementos foram criados antes do universo, entre os quais a Torá e o arrependimento..." (Nedarim 39b). Portanto, antes mesmo de ser criado, D'us deu ao homem, elemento fundamental de toda a Criação, a possibilidade de se afastar de seus erros. Segundo nossos sábios, a eficácia do arrependimento, do retorno a D'us, está acima da lógica humana.

No calendário hebreu, o Yom Kippur começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebreu de Tishrei (o que coincide com setembro ou outubro), continuando até ao seguinte pôr do sol. Esse ano, 2006, a véspera de Yom Kipur caiu no dia 01/10 e foi até 02/10 passado.

Durante um longo ano, comete o homem toda sorte de erros, atropelos, voluntários, involuntários. O processo da teshuvá não poderá realizar-se magicamente em um dia.






Shofar
O Yom Kipur é o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel. Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. É permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar eletricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de 9 anos, pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram a luz há menos de trinta dias.

Se uma pessoa, enquanto estiver jejuando, passar mal a ponto de quase desmaiar, deve-se lhe dar comida até que se recupere. Se houver perigo de uma epidemia e os médicos da cidade aconselharem que é necessário comer a fim de resistir à moléstia, exige-se que todos comam.

Observa-se, também, que as más ações ou transgressões têm duas polaridades: uma do homem em relação ao homem e a outra do homem em relação a Deus. A primeira é a da vida diária, exterior, social e inter-humana. A outra, do âmbito da alma, é o segredo da consciência. A primeira é coisa de homens e os homens têm de resolvê-la: "As transgressões que vão de homem a homem, não são espiadas pelo Yom Kippur se, antes, não forem perdoadas pelo próximo ".

Daí que se costuma pedir, previamente, o perdão de nossos semelhantes, se eles não perdoam, Deus não poderá intervir.

A proibição mais forte no Yom Kipur é relacionada à comida - Comer (desde um pouco antes do pôr-do-sol de Domingo (dia 01), até o nascer das estrelas da segunda-feira, (dia 02) Essa, como outras proibições, tem como essência causar aflições ao corpo dando prioridade a alma



A GASTRONOMIA DE YOM KIPUR



Carpa
Enquanto o Yom Kipur é dedicado ao jejum, o dia anterior é dedicado a comer. De acordo com o Talmud, a pessoa "que come no nono dia de Tishrei (e jejua no décimo), é como se tivesse jejuado em ambos os dias, o nono e o décimo". Também as orações são minimizadas para que os judeus possam se concentrar em comer e se preparar para o jejum.

No dia que precede o Yom Kipur, recomenda-se que se coma mais que o habitual para se fazer face ao jejum, evitando-se alimentos excessivamente salgados ou condimentados que provoquem sede excessiva, pois ao começar o jejum, além de não se comer, não se bebe água até o término.

Alguns quebram o jejum ainda na sinagoga com bolo de nozes e mel.

Os Ashkenazim costumam quebrar o jejum com um caldo de galinha quente acompanhado de Kreplach recheado de frango, chá, arenque, galinha assada, etc.


Burekas
Os Sefaradim são mais adeptos do lanche, que pode se iniciar com um suco de frutas. São também colocados à mesa Burekas, pastas de queijo. azeitonas. biscoitos, pãezinhos e, as vezes, caldo de galinha.

No Marrocos, é mais usual se preparar um cuscuz de galinha, além de galinha ensopada com grão de bico e uma rica sopa com todos os vegetais, que alguns denominariam como Harira, da qual os muçulmanos fazem uso também no jejum de Ramadâ.





Blintzes
Em casa, o jantar tradicional começa com um peixe defumado ou marinado: a salinidade faz com que se tome mais líquidos e re-hidrata o organismo mais rapidamente.

Alguns grupos da Europa central, costumam, neste dia, fazer uma refeição láctea: lokshem kugel (bolo de macarrão) ou as blintzes (panquecas) de queijo. Em quase todas as casas há, também, um prato de galinha.

Outro costume envolve os judeus da Turquia. No jantar de "quebra-jejum", costumam servir huevos haminados (ovos cozidos por um processo especial que leva mais de 6 horas). O ovo sempre foi o símbolo da vida e da continuidade para muitos povos antigos. Diz a lenda turca que, se você dividir um huevo haminado com alguém, um ficará com raiva do outro até o fim do próximo ano.


Kreplach
Os judeus Sefaradi (do Oriente e da Península Ibérica) têm o couscous como prato de cerimônia para as festas de fim de ano. Comem acelga para remover os inimigos do caminho, a vagem de metro para aumentar as bênçãos recebidas, o doce de abóbora em pedaços para pedir que os nossos pecados sejam também reduzidos a pedaços e a romã para que nossas virtudes se multipliquem como suas sementes.



Curiosidade: Existiram 2 grandes comunidades judaicas na Índia, a de Bombaim e a de Calcutá. As receitas de ambas eram iguais na essência, mas tudo o que era feito com carne em Bombaim, era feito com frango em Calcutá: a comunidade de Bombaim tinha um shohet, ou seja, um rabino habilitado a abater animais segundo os rituais kasher (o código religioso sanitário que diz o que o povo judeu pode comer e o que não pode). Assim, a comunidade de Calcutá só comia carne quando o Shohet para lá viajava.





  • criado por  rebeka.didio criado por rebeka.didio
  • Postado em 22:48:17

BUFFET SAÍDA DE SINAGOGA

  • criado por  rebeka.didio criado por rebeka.didio
  • Postado em 12:23:26

08.11.06

ALIMENTAÇÃO JUDIA NA IDADE MÉDIA 1



BEBIDAS

O vinho é a bebida por excelência. No fim da Idade Média ele é bebido tanto durante as refeições quanto durante o dia.
Os Responsa de Isaq bem Sheshet Perfet nos informam sobre a impossibilidade de garantir o caráter Kasher do vinho judeu. Assim, em uma carta escrita por volta de 1936, este escreve ao rabino Amram Efrati Bem Meru’am, da comunidade de Oran, que nem os judeus convertidos de Maiorca, nem de outras regiões, estão em condições de zelar pela qualidade do vinho; e mesmo supondo que estejam eles não poderiam evitar que os cristãos tivessem contato com ele.
A importação de vinho também era um problema por causa da cobrança de impostos (sisa). Em Jativa, na Espanha, a sinagoga proíbe sua importação, salvo quando o importador paga uma taxa para que seja posto em tonéis.
A coletividade respeita a proibição de consumir vinho vindo de fora; ele é considerado impuro, ao menos que entre com o consentimento do tribunal rabínico ou dos membros do conselho.

COZINHA

A Cozinha o lugar sagrado dos gastrônomos, ficavam no primeiro andar junto com os quartos, logo acima do Palácio, nome dado às peças que ladeiam o vestíbulo por onde se entra na residência. Possue uma porta independente, e seu teto é feito de vigas intercaladas de pranchas de madeira apoiada em pilares. O cão é pintado de cal. No centro, o fogão, em volta do qual se dispõe o mobiliário. A cadeira ou banco pega dois ou três lados do fogão. Às vezes a cozinha era usada como sala de jantar.
Nas casas ricas usam-se normalmente saleiros, assim como Fogariles e Escalfadores para manter a comida quente. O principal elemento é a mesa, que os inventários afirmam ser “para comer”.
A dispensa tinha dupla função de armazém e adega. Na adega que se conservavam os vinhos em tonéis para preservar sua pureza ritual. O queijo e o vinho azedavam quando as condições de temperatura não eram ideais.
Em seus quintais, os judeus dispõem, além da horta, de um pequeno espaço aonde criam aves domésticas, inclusive pombos, que lhes fornecem carnes e ovos. As aves domésticas constituem um porte alimentar não desprezível, pois representam, em certas regiões do interior da França, 14% da fauna doméstica. As sinagogas também possuem seu criatório de aves domésticas.

OS UTENSÍLIOS

A preparação dos alimentos frescos começa pela lavagem das matérias primas Na Sicília, onde cada lar possui tachos destinados á higiene, encontra-se grande quantidade de pratos de cerâmica, madeira e metal, enquanto, na Provença, se usa gamelas ou bilhas; certamente lavam-se os pratos em pequenas bacias de argila ou de cobre.
As facas raramente são mencionadas, ao passo que o almofariz parece ser um utensílio básico. A maior parte das pecas é de madeira, osso ou pedra, materiais aos quais os notórios davam pouca importância. Três instrumentos de cozinha são indispensáveis: a grelha, a frigideira e o caldeirão, usado para cocção no fogo indireto.



O UNIVERSO DAS MESAS

Em ocasiões especiais a mesa é preparada com muito cuidado. Em algumas regiões da Itália ainda se põe a “mesa de anjo”, segundo uma tradição ancestral. A mesa costuma ser um lugar onde os ritos se preservam.
Os inventários mencionam a baixela, toalhas e móveis, mas não os bancos de pedra ao longo das paredes. Toalhas de mão e de mesa (coletivas ou individuais), algumas de mesa de 2 metros de comprimento, servindo para refeições de convivas ou mais. As “roupas de mesa” do0s judeus de Aragão compõem-se de numerosas toalhas de mesa e toalhas chamadas “forros” ou “roupa de boca”.

OS AÇOUGUES E O FORNO

No bairro judeu, os centros culturais e sanitários, assim como os estabelecimentos de ensino e assistência, os lugares de culto e de serviços de interesse público ou social são dotados de um equipamento mínimo. O espaço urbano se divide em três pólos: as residências particulares, as instituições cívico-religiosas e a assistência social e os locais de comércio. Na zona reservada ao comércio a comunidade encontrava seus próprios meios de produção e distribuição de alimentos.
Determinadas comunidades eram proprietárias de um centro de abastecimento denominado “armazém do bairro judeu”, alugado de um cristão ou de um judeu por um período de um ano passível de renovação. Essa locação começava no primeiro dia da Quaresma e acabava no carnaval, duração correspondente ao exercício fiscal.
O açougue faz parte dos estabelecimentos que garantem aos judeus o abastecimento em gêneros de primeira necessidade. Depois da sinagoga, é uma das instituições de interesse público mais emblemático.
Os cristãos parecem ter dado prova de tolerância ao permitir que judeus se abastecessem de carne, como o provam em estudos feitos na Itália, principalmente nas comunidades de Tosi (1413, 1420,1481), Amélia (1430), Perúgia ( 1439), Assis (1457), Foligno (1456), Norcia (1432), Espoleto (1468), Terni (1456,1474), Treviso (1474) e Cittá (1485, 1500, 1531,1545).
Os açougues são freqüentados não apenas pelos hebreus, mas também por conversos e cristãos. O que prova que os açougues produziam quantidades superiores ás suas necessidades, abastecendo a cidade de carneiros, bois, novilhos e cabritos ao que parecem, os açougues judeus vendiam carnes de qualidade superior, preparada nas melhores condições de higiene. Em geral eram mais abastecidos e ofereciam preços mais baixos do que os açougues dos cristãos. Mesmo as regulamentações dos senhores em vão insistirem para que os preços de venda alinhassem aos preços do mercado cristão.
Em alguns bairros judeus havia açougues de judeus que acabavam por partilhar o mesmo estabelecimento com os cristãos e mudéjares. É vítimas de descriminação como aconteceu em Elche, perto de Alicante, em 1312, quando as autoridades se opõem a que judeus procedam ao abate de animais nos matadouros cristãos temendo que a carne seja contaminada. Em 1403 os judeus de Valência foram proibidos de abater seus animais em matadouros cristãos. Esses estabelecimentos desapareceram no final do século XV com as medidas tomadas contra a pequena comunidade judia que continuava a freqüenta-los.
Obs: (quem quiser mais informações sobre os açougues da época me mande e-mail)


A ARTE CULINÁRIA

A arte culinária se torna uma atividade específica quando a ela se mesclam elementos de ordem religiosa. O cardápio do dia a dia dos judeus da idade média quase não se diferencia dos cristãos, exceto no que se refere à preparação e utilização de certas matérias-primas de origem animal.



  • criado por  rebeka.didio criado por rebeka.didio
  • Postado em 17:07:29

ALIMENTAÇÃO JUDIA NA IDADE MÉDIA



ALIMENTAÇÃO JUDIA NA IDADE MÉDIA





A Grande Sinagoga (Velká synagoga) Plzeň, República Checa


As comunidades judias da idade média possuem elementos sócio-culturais que as distinguem das demais, e o conjunto de suas práticas alimentares constitui uma das mais altas expressões dessa tradição. Mas isso não impede que ocorra assimilação de outras culturas vizinhas.
Aqui vamos traçar linhas mestras da alimentação judia especialmente a mediterrânea, para que possamos entender melhor a culinária judaica que se encontra em meio ao oceano cristão, detentor do poder político, econômico e religioso, uma ilha que luta permanentemente para manter sua identidade cultural.
Alguns detalhes da época quanto às festas:
O Shabat é uma das mais importantes tradições do Judaísmo. Nesse dia dava-se uma atenção muito especial á iluminação e á troca dos utensílios usados no serviço da mesa e das toalhas como símbolo de regeneração.
Segundo a tradição só se acendia a Menorá – tarefa reservada as mulheres – depois de se estender uma toalha branca na mesa. As velas ficavam acesas até se consumirem. Colocava-se um pouco de sal ma mecha para que a chama durasse mais tempo.
A Mishna enumera 39 atividades proibidas nesse dia, entre elas cozer alimentos, abater, degolar e salgar animais, amassar farinha e acender fogo. Era necessário, pois cozinhar de véspera, sendo chamado esse dia de “apparatio”, o dia dos preparativos.
O principal prato do Shabat é o Hamin, “sopa dos judeus”, também conhecido com o nome de Adafina, isto é, “coisa quente”.
Essa sopa que tem certos ingredientes básicos como ovos cozidos, grão-de-bico e carne, aos quais se podem acrescentar couve ou outros legumes, exala um aroma tão especial que se era obrigado a disfarçá-lo jogando uma sardinha ao fogo, queimando lã ou dentes de alho na porta de casa.
No Yom Kipur arrumava-se a casa colocando toalhas brancas limpas e novas e aumentando a iluminação habitual
Em Sucot, as ruas e praças dos bairros judeus eram uns lugares bastante apropriados para erguer cabanas; quando isso não era possível algumas famílias usavam sua sala de jantar ou os pátios internos da residência, colocavam mesas abertas cheias de pratos e doces durante sete dias seguidos.
Os inspetores da inquisição deixaram uma descrição da cerimônia:
“O acusado tinha o hábito de observar e de celebrar a Páscoa, vulgarmente chamada de Páscoa das Cabanas, no decorrer da qual mandava construir cabanas de funcho e outros legumes no interior de sua casa, cabanas onde ele e todos os da casa comiam á maneira dos judeus, e quando ele não conseguia construir as ditas cabanas ás escondidas, ia á casa de parentes e amigos convertidos, e ás vezes, ia partilhar as cabanas com eles no bairro judeu(...); em observância a essa Páscoa, ele comia em pratos e tigelas novos, á maneira judaica.”

A ALIMENTAÇÃO

Os interditos alimentares obedecem a diferentes tipos de considerações, tais como o não pagamento do dízimo referente ao produto; a relação da alimentação com a idolatria, sua procedência ilícita por apropriação indébita (roubo), seu caráter fermentado (chametz); As prescrições baseadas na Halakha e na codificação das leis Kashrut, dizem respeito a uma vasta gama de alimentos que vai de certas carnes “imundas”, que devem ser eliminadas, até as suscetíveis de serem comercializadas junto aos gentios – o sangue, as gorduras abomináveis, as aves de terreiros preparadas com leite.
Quanto às interdições alimentares que pesavam sobre o homem da Idade Média, não se sabe o certo de suas motivações, mas existem muitas hipóteses.
Razões de ordem higiênicas (animais fontes de doenças), psicológica (repulsa as espécies proibidas cujo consumo se supõe despertar instintos de crueldade) e necessidade de se diferenciar dos vizinhos gentios.

CARNES E PEIXES

Como a Europa era essencialmente carnívora os judeus se encontravam numa situação de difícil solução, por uma boa parte das proibições religiosas se referirem a alimentos de origem animal. Normalmente os judeus consumiam mais cordeiros que seus congêneres cristãos, independente de seu apetite e recursos financeiros.
Todas as proibições relativas á carne levam o homem da Idade Média a buscar um aporte energético e protéico de substituição de peixe fresco ou salgado, inclusive no sábado.

VEGETAIS


Os vegetais têm importância fundamental na alimentação. Isso porque se consome bastante pão e também se consome legumes frescos e verdes, misturados ou em sopas, assim como frutas.
Os cereais mais usados na fabricação do pão são o trigo, a cevada, o centeio e a aveia, com os quais também se produz a sêmola e pastas.
Em períodos de escassez eles compensam a falta de carne na ração alimentar. O pão é um alimento de base: seu consumo diário numa família pobre da Idade Média, é de cerca de quatro libras (1,720 kg).
Na mesma época uma familia de Conversos envia uma fanga (cerca de 55 litros) de trigo ao bairro judeu para que lhe prepare o pão ázimo para a Páscoa. Os tipos de pão variam de acordo com o tipo de farinha utilizada. O pão de trigo era o mais comum na época.
No final do século XV, usava-se geralmente a expressão “pão bonito” para designar o pão comum por oposição ao pão ázimo, destinado á Páscoa.
Os judeus mediterrâneos têm um fraco por grão-de-bico, lentilhas, favas e feijão verde, e todos esses legumes tem um papel importante na diversificação das sopas e ensopados. As hortas produzem Berzas, acelga, couve, espinafre, berinjela, aipo, etc. As frutas secas, muito nutritivas, também muito apreciadas.
Para dar uma idéia das variações culinárias que elas inspiram, cabe lembrar um prato preparado em Saragoça para festejar o fim do Kipur, segundo a descrição feita por um dos membros da Inquisição:
“Eles puseram para cozer duas dúzias de ovos na água. Quando ficaram cozidos, eles picaram uma parte e misturaram o resto com mel, amêndoas, frutas secas, pinhões, castanhas secas e molhos, de óleo e mais outras coisas; puseram a cozinhar tudo junto numa panela durante duas ou três horas...”.




  • criado por  rebeka.didio criado por rebeka.didio
  • Postado em 16:42:03

GASTRONOMIA RELIGIÃO X COMIDA - ROSH HASHANA

GASTRONOMIA

RELIGIÃO X COMIDA

A história da gastronomia nos mostra que a cultura de um povo pode ser vista através da sua gastronomia que é passada de geração em geração, sofrendo muitas vezes mudanças que vão se adequando de acordo com o local aonde vivem e o que se encontra na região.
podemos notar essa influência nitidamente na mesa do judeu ashkenazi e o sefaradi. Mesmo pertencendo a mesma religião seus hábitos alimentares se modificaram através das peregrinações devido as perseguições tendo que se adequar ao que encontrava na região.
Essa curiosidade será comentada nos próximos encontros aqui, aonde trarei diferenças e dicas sobre a culinária judaica que é tão rica.

Cozinha judaica é, provavelmente, a cozinha mais marcada pelos preceitos religiosos nos dias atuais. É conhecida no mundo inteiro, principalmente por causa das recomendações do 'Kashrut' (As Leis Higiênicas), que proíbem o consumo de porco, crustáceos, leite e carne numa mesma refeição.
Nem sempre a cozinha judaica é necessariamente kasher.


Em virtude de tantas proibições ou obsessão pela pureza dos alimentos, o povo judeu foi criando uma culinária baseada em aves, vegetais, carne de vaca e uso de ervas. Presente nos rituais e festas, a cozinha judaica não é sofisticada nos ingredientes, mas muito aprimorada no preparo.

De acordo com a tradição judaica, a comida ocupa lugar de destaque nas festividades e comemorações religiosas. Cada festividade tem pratos típicos correspondentes, com papel definido no ritual.

Como estamos próximos ao rosh hashana, falaremos um pouco dessa importante festa e traremos receitas para que possam utilizar na mesma.


O próprio nome indica: Rosh = cabeça; Shaná = mudança. O ano se chama Shaná em hebraico porque a cada ano temos de mudar, de evoluir, de repensar nossas vidas. Em Rosh Hashaná temos o dever de mudar em primeiro lugar o que está dentro de nossas cabeças, repensando nossas atitudes para com nós mesmos, como estamos nos tratando, se nos respeitamos física e moralmente, para depois alargarmos este círculo e abrangermos nossos familiares mais próximos, mais longínquos, amigos, colegas de trabalho, comunidade, país e acima de tudo, rever nosso relacionamento com Deus. (“Paulinho Rosenbaum”)


Nesse dia, as chalot devem ser feitas no feitio redondo para mostrar que sendo o ano um círculo, não tem princípio nem fim. devemos comer um pedaço de maçã embebido em mel ao principiar a refeição, simbolizando um ano bom e doce.

TRUTA RECHEADA COM ESPINAFRE - peixe, animal que nada "para frente", e que nas casas mais tradicionais tem sua cabeça servida ao chefe da casa.

INGREDIENTES:

Truta fresca inteira (com cabeça)
Espinafre congelado – 80 g
Cebola – cortada picadinha
Creme de leite fresco – 50 ml
Manteiga – 5g
Sal – á gosto
Pimenta do reino branca moída – á gosto
Papel alumínio – ¼ de folha



MODO DE PREPARO:

Limpar a truta pela barriga. Tirar a espinha dorsal e todos os espinhos possíveis bem como tudo que tiver dentro da barriga. Se for limpo por um profissional pedir para abrir em um único filé, preso pelo dorso (corte borboleta). Não esqueça de pedir para tirar os olhos senão amarga a receita.
Suar a cebola na manteiga, adicionar o espinafre bem picado, saltear por alguns minutos.
Adicionar o creme de leite e reduzir a um creme espesso.
Temperar com sal e pimenta e reservar.
Temperar a truta com sal e pimenta e rechear com o creme de espinafre.
Levar ao forno pré aquecido a 180. C em uma assadeira com papel alumínio e assar até que as bordas da truta estejam seladas e a truta cozida (aproximadamente 10 minutos)

OBS: Pode colocar em vez do espinafre, legumes salteados, como cenoura, alho porro, cebola, abobrinha.

CHARUTOS FOLHAS DE UVA

INGREDIENTES:
300g de folha de uva

RECHEIO:

500g de carne moída (duas vezes)
Alho - 2 alhos socados
Sal – 1 colher de chá rasa
Pimenta Syria – 1 colher de café
Limão – suco de ½ limão
Extrato de tomate – 3 colheres de sopa
Óleo – 3 colheres de sopa
Alho – 2 cortados ao meio

PARA COZINHAR:

Extrato de tomate – 3 colheres de sopa
Limão – suco ½ limão
Sal – á gosto
Açúcar – 1 colher de sopa

MODO DE PREPARO:

Aferventar as folhas de uvas até estarem moles, mas não a ponto de rasgar.
Cortar o cabo de cada folha e abrir ela do lado crespo para cima, pendurando elas pela borda do coador de macarrão.
Recheio – misturar todos os ingredientes.
Colocar a parte lisa de cada folha virada para baixo, aberta em cima de um prato.
Rechear com 1 colher de sopa e enrolar pela parte mais larga dobrando os lados em cima do recheio.
Dentro de uma panela de uma panela colocar os charutos enrolados bem firme um ao lado do outro, fazendo camadas até terminar.
Acrescentar 2 alhos cortados ao meio sobre as folhas.
Colocar um prato de cabeça pra baixo em cima das folhas, para evitar que quando colocar a água os charutos subam.
Acrescentar em 1 litro de água quente, o extrato de tomate, limão, sal e açúcar.
Cobrir as folhas de uva, deixar cozinhar em fogo médio, até estarem cozidos, deixando um pouco de caldo.


Bolo de mel
Ingredientes:
5 ovos
3/4 xícara de mel
3/4 xícara de açúcar
1/2 xícara de suco de laranja
1/2 xícara de café forte
1 xícara de óleo
3 xícaras de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1/2 colher (sopa) de bicarbonato
canela e cravo em pó
uvas passas
Preparo:
Bata as claras em neve e deixe descansar. Misture bem o mel, o açúcar e as gemas até a massa ficar bem clara. Acrescente o suco, o café, o óleo. Depois de bem misturado acrescente a farinha de trigo, o fermento em pó, o bicarbonato, o cravo e a canela. Por último, as uvas passas. Asse em forno moderado por cerca de 40 minutos.
DICAS:
Vários alimentos simbólicos são ingeridos na refeição da primeira noite de Rosh Hashaná, e um pedido é recitado para cada alimento. Este costume é baseado em um ensinamento talmúdico: "Presságios são significativos; por isso cada pessoa deveria comer no início do ano abóbora, beterrabas, tâmaras e alhos-poró".

Ingredientes que devem ser evitados:
Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. Nozes também não devem ser ingeridas nestes dias. Um dos motivos é porque as nozes provocam pigarro que pode atrapalhar as orações do dia; outro motivo é que o valor numérico da palavra egoz (noz) corresponde ao da palavra chet (pecado) sem o alef.
  • criado por  rebeka.didio criado por rebeka.didio
  • Postado em 16:26:03