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As crianças da arca
Yossef ben Shlomo haCohen
Com a explosão da Segunda Guerra Mundial, dois mundos diferentes se juntaram, quando quinhentas crianças judias foram hospedadas por famílias cristãs, no interior britânico.
Há mais de sessenta anos atrás, uma onda de anti-semitismo invadiu a Europa. Junto a esta onda tempestiva, havia uma "Arca" não muito conhecida, um refúgio para algumas das sofridas crianças judias.
A historia desta Arca começa em Londres, no dia 31 de agosto de 1939, três dias antes da explosão da guerra contra a Alemanha. O governo britânico decidiu evacuar todas as escolas de Londres, por questões de segurança, para o interior da Inglaterra. De acordo com o plano, cada escola em Londres seria transferida para um vilarejo onde as crianças seriam hospedadas nas casas dos habitantes locais. Porém, os preparativos exatos para o alojamento, alimentação e outras necessidades só seriam providenciados depois que as crianças chagassem, pois o governo queria guardar segredo em relação a essas escolas até o dia da evacuação de emergência.
Uma destas escolas era a Escola Secundária Judaica (Jewish Secondary School), observante da Torá, com quinhentos estudantes. Alguns deles foram criados na Inglaterra e outros eram crianças refugiadas que tinham chegado recentemente da Alemanha e Áustria (na maioria dos casos, essas crianças refugiadas chagavam sem os seus pais). As crianças dessa escola judaica, junto ao restante da equipe, foram enviadas ao vilarejo de Shefford e seus arredores. A doutora Judith Grunfeld, diretora da escola, descreveu a experiência em seu livro "Shefford":
"As Crianças de Israel" era, para a maioria dos habitantes do vilarejo, somente um termo bíblico que trazia à mente uma imagem de caravanas que perambulavam pelo deserto, em direção à Terra Santa. Uma senhora temente a D`us, quando soube quem havia chegado, chamou seu marido, alvoroçada: "Tom, venha logo! As crianças de Israel da Bíblia estão aqui". Outros associavam a palavra "judeu" a comerciantes, ou haviam adquirido uma imagem dos judeus lançando chifres em suas testas. "Mas vocês não têm chifres!", disse uma mulher verdadeiramente surpresa a um dos meninos que acolheu em sua casa" .
Professores e ajudantes me contaram das grandes dificuldades que nossas crianças encontraram quando chegaram em seus lares adotivos. Em todas as casas havia uma refeição de boas vindas com comidas especiais que foram preparadas especialmente para elas. Os pais adotivos e suas próprias famílias observavam ansiosamente o novo habitante de sua casa e animadamente antecipavam como fariam a primeira refeição: uma omelete com presunto, sinal de boas vindas que fora preparado para elas com muito amor e carinho.
Em todos os lares a mesma história se repetia. A criança, tímida e cansada, não tocava na comida, sacudia a cabeça e dificilmente bebericava algumas gotas de chá. Elas mostravam sinais de embaraço. Algumas ainda conseguiram dizer palavras como "obrigado", que vinham de seus corações, mas mesmo assim acabaram criando uma atmosfera de desapontamento e frustração nas casas em que estavam hospedadas e no vilarejo...
Mais tarde, foi explicado que aquelas crianças foram educadas a observar as leis dietéticas de acordo com a Bíblia e que algumas delas tinham acabado de vir da perseguição nazista e não falavam inglês, estando conseqüentemente incapazes de explicar porque recusavam aquela deliciosa refeição que lhes fora preparada com tanto cuidado e amor, porém estavam verdadeira e sinceramente gratas por toda a bondade que os habitantes demonstravam a elas.
"E vós devereis levar no primeiro dia os frutos de boas árvores, ramos de palmeira, galhos de árvores e salgueiros.
E vós devereis alegrar-se perante o Eterno, seu Deus." (Leviticus 23)
Hoje, frutas, garrafas de óleo e água, e outros alimentos decoram a sucá, onde as refeições devem ser feitas acompanhadas de preces e agradecimentos.
A prece "Tu fazes o vento soprar e a chuva cair" é repetida diariamente durante o inverno, relembrando as preces feitas no templo pedindo por nos meses de inverno.
Nos Kibbutzim, junto aos riachos, crianças e adultos se reúnem. As crianças enchem seus jarros com água e carregam ramos de palmeiras, enquanto os adultos carregam tochas com fogo.
"Vós devereis tirar água da fonte da salvação com júbilo."
Finalmente a água é usada para extinguir o fogo, simbolizando o final do verão e a promessa de chuvas.
ESTÓRIA DE SUCOT
A recompensa índice
Viveu certa vez um homem muito caridoso. Era Hoshaná Rabá e sua mulher deu-lhe dez shekels e pediu-lhe para que comprasse algo para os filhos. Naquela ocasião, fazia-se uma coleta na praça do mercado, para uma pobre órfã que estava para se casar. Quando aqueles que coletavam o dinheiro avistaram o homem, disseram: "Aí vem uma pessoa muito caridosa." Dirigiram-se a ele, dizendo: "Gostaria de contribuir com esta causa nobre, pois queremos comprar um presente para uma noiva sem recursos?"
O bom homem doou todos os dez shekels que possuía. Ficou envergonhado de voltar para casa com as mãos vazias, e dirigiu-se então à sinagoga. Lá encontrou crianças brincando com etrogim (uma das quatro espécies usadas em Sucot) pois era Hoshaná Rabá (o sétimo dia de Sucot) e não havia mais necessidade dos etrogim. O homem juntou uma sacola repleta de etrogim e saiu em busca da sorte. Chegando a um local desconhecido, sentou-se sobre sua sacola, refletindo sobre o que fazer em seguida. De repente, foi abordado pelos oficiais do rei, que lhe perguntaram o que tinha naquela sacola.
"Sou um pobre homem e nada tenho para vender," respondeu ele. Eles abriram a sacola e constataram que estava cheia de etrogim. "Que tipo de fruta é essa?" perguntaram os oficiais. "São etrogim, uma fruta especial usada pelos judeus durante a Festa de Sucot."
Ouvindo isso, os oficiais agarraram-no juntamente com a bolsa e carregaram-no por todo o caminho até o palácio. Foi então que o homem entendeu o porquê de todo aquele entusiasmo: o rei estava muito doente e haviam-lhe dito que somente a fruta usada pelos judeus durante o festival de Sucot poderia curá-lo. Uma busca intensiva não tivera sucesso, e justamente quando toda a esperança parecia ter-se acabado, o bom homem chegara com uma sacola cheia de etrogim, desta maneira salvando a vida do soberano.
O rei recobrou a saúde e ordenou que a sacola esvaziada dos etrogim fosse preenchida com moedas de ouro. Nosso bom herói retornou para casa ricamente recompensado durante toda sua vida pela caridade que fizera.
Viveu certa vez um homem muito caridoso. Era Hoshaná Rabá e sua mulher deu-lhe dez shekels e pediu-lhe para que comprasse algo para os filhos. Naquela ocasião, fazia-se uma coleta na praça do mercado, para uma pobre órfã que estava para se casar. Quando aqueles que coletavam o dinheiro avistaram o homem, disseram: "Aí vem uma pessoa muito caridosa." Dirigiram-se a ele, dizendo: "Gostaria de contribuir com esta causa nobre, pois queremos comprar um presente para uma noiva sem recursos?"
O bom homem doou todos os dez shekels que possuía. Ficou envergonhado de voltar para casa com as mãos vazias, e dirigiu-se então à sinagoga. Lá encontrou crianças brincando com etrogim (uma das quatro espécies usadas em Sucot) pois era Hoshaná Rabá (o sétimo dia de Sucot) e não havia mais necessidade dos etrogim. O homem juntou uma sacola repleta de etrogim e saiu em busca da sorte. Chegando a um local desconhecido, sentou-se sobre sua sacola, refletindo sobre o que fazer em seguida. De repente, foi abordado pelos oficiais do rei, que lhe perguntaram o que tinha naquela sacola.
"Sou um pobre homem e nada tenho para vender," respondeu ele. Eles abriram a sacola e constataram que estava cheia de etrogim. "Que tipo de fruta é essa?" perguntaram os oficiais. "São etrogim, uma fruta especial usada pelos judeus durante a Festa de Sucot."
Ouvindo isso, os oficiais agarraram-no juntamente com a bolsa e carregaram-no por todo o caminho até o palácio. Foi então que o homem entendeu o porquê de todo aquele entusiasmo: o rei estava muito doente e haviam-lhe dito que somente a fruta usada pelos judeus durante o festival de Sucot poderia curá-lo. Uma busca intensiva não tivera sucesso, e justamente quando toda a esperança parecia ter-se acabado, o bom homem chegara com uma sacola cheia de etrogim, desta maneira salvando a vida do soberano.
O rei recobrou a saúde e ordenou que a sacola esvaziada dos etrogim fosse preenchida com moedas de ouro. Nosso bom herói retornou para casa ricamente recompensado durante toda sua vida pela caridade que fizera.
SUCOT
A FESTA DAS CABANAS
FALAREMOS SOBRE SUCOT E AO MESMO TEMPO POR SER O MÊS DAS CRIANÇAS CITAREMOS ELAS DIVERSAS VEZES NESSE ARTIGO.
SUCOT
A Festa das Cabanas, em hebraico Sucot, é parte do ciclo de festividades que começa com Rosh haShaná. Sucot distingue-se por 2 ritos: a sucá, onde se deve, durante a festa, comer todas as refeições, construída para lembrar as cabanas que os antepassados dos israelitas construíam no deserto; e o lulav, que é um feixe formado de 1 palma de tamareira(lulav),3 ramos de mirta (hadás),2 de salgueiro(aravá) e a cidra(etrog). Durante as orações matutinas agita-se este feixe,lembrando ser Sucot também a festa da colheita - Hag Assif.
As 4 espécies de Sucot são semelhantes a 4 tipos de pessoas:
• Etrog - tem sabor e aroma - simboliza os conhecedores e praticantes da Torá e das mitzvót, praticantes de boas ações; Etrog
De preferência deve estar mais amarelo do que verde.
A casca não pode estar perfurada nem ter manchas. Também não deve faltar nenhuma parte de sua pele interna.
A casca não pode estar mole demais, rachada, murcha ou descascada.
Até um ponto preto pequeno na parte superior invalida a fruta.
A sua forma deve ser, de preferência, como uma torre: larga na parte de baixo e estreita na parte de cima.
Se este Etrog cresceu com um talo saliente (chamado de pitom), aquele talo não pode ser retirado bruscamente. (Porém, se o Etrog cresceu sem um pitom, é casher também).
• Lulav - tem sabor mas não tem aroma - simboliza os conhecedores, mas que não praticam boas ações;. Lulav
Olhe para o ramo no topo do Lulav e tenha certeza de que o centro não está dividido. Ele deve estar fechado (pelo menos abaixo da metade).
O topo não pode estar cortado
O ramo não pode estar seco.
Deve ter ao menos 16 polegadas (39 cm).
Quanto mais reto estiver o ramo, melhor.
Hadas- oferece aroma, porém é sem sabor, como as pessoas humildes que, apesar de não possuírem cultura, são prestativas e boas. Murta
Você precisará de três galhos de murta.
Uma murta casher tem um padrão de três folhas que saem do mesmo ponto no galho. Este padrão de três folhas deve ser repetido acima de pelo menos metade do comprimento do galho.
Cada galho deve ter pelo menos 11 polegadas (29 cm).
O galho não pode estar seco.
Arava - sem perfume nem paladar, mas resistente a intempéries, representa os indivíduos teimosos que não possuem inteligência e não se esforçam para melhorar. Salgueiro
Você precisará de dois galhos de salgueiro.
O talo deve estar, de preferência, vermelho.
O talo deve ter pelo menos 11 polegadas (29 cm).
As folhas deviam ser retangulares e não redondas em sua
forma.
As folhas devem ter uma extremidade lisa, não serrada
Em Sucot lembramos de dois momentos importantes para nosso povo: quando eles caminharam por 40 anos no deserto do Sinai, antes, e moraram em cabanas; e quando, já na Terra de Israel, eles trabalhavam como agricultores e, na época da colheita, construíam cabanas perto do campo e lá moravam até que a colheita terminasse. Assim, Sucot está ligada a um evento histórico e também à agricultura.
Para festejarmos Sucot, construímos uma Sucá e durante uma semana passamos a realizar a maioria das atividades dentro dela: comemos, estudamos e às vezes, até dormimos dentro dela. A Sucá não pode ser uma construção sólida e permanente, ela tem que transmitir seu caráter temporário que tinha antigamente. Suas paredes podem ser construídas de várias formas mas o telhado é especial: ele é formado de ramos de plantas, com espaços entre eles para que, durante a noite, possa-se enxergar as estrelas.
A festa de Sucót está entrelaçada com alusões e preces para que chova durante o ano. É uma coisa muito bonita dentro do modo-de-ver Judaico, que há 2.000 anos atrás, no Templo Sagrado em Jerusalém, nós fazíamos 70 oferendas durante a semana de Sucót, uma para cada nação da Terra, para que elas tivessem paz, prosperidade e chuvas durante o próximo ano!
O Talmud, no Tratado Sucá, explica que agitamos o luláv para os 4 lados do mundo, para cima e para baixo, não só para simbolizar que D'us está em todos os lugares, mas para suplicar-Lhe que nos proteja dos fortes ventos que nos ameaçam de todos os lados. E além disto tudo, para que Ele nos salve das chuvas torrenciais que caem dos Céus e das inundações que brotam da terra. A Sucá representa nossas preces por proteção das chuvas fora de época.
As 4 espécies de Sucot são semelhantes a 4 tipos de pessoas:
• Etrog - tem sabor e aroma - simboliza os conhecedores e praticantes da Torá e das mitzvót, praticantes de boas ações; Etrog
De preferência deve estar mais amarelo do que verde.
A casca não pode estar perfurada nem ter manchas. Também não deve faltar nenhuma parte de sua pele interna.
A casca não pode estar mole demais, rachada, murcha ou descascada.
Até um ponto preto pequeno na parte superior invalida a fruta.
A sua forma deve ser, de preferência, como uma torre: larga na parte de baixo e estreita na parte de cima.
Se este Etrog cresceu com um talo saliente (chamado de pitom), aquele talo não pode ser retirado bruscamente. (Porém, se o Etrog cresceu sem um pitom, é casher também).
• Lulav - tem sabor mas não tem aroma - simboliza os conhecedores, mas que não praticam boas ações;. Lulav
Olhe para o ramo no topo do Lulav e tenha certeza de que o centro não está dividido. Ele deve estar fechado (pelo menos abaixo da metade).
O topo não pode estar cortado
O ramo não pode estar seco.
Deve ter ao menos 16 polegadas (39 cm).
Quanto mais reto estiver o ramo, melhor.
Hadas- oferece aroma, porém é sem sabor, como as pessoas humildes que, apesar de não possuírem cultura,
são prestativas e boas. Murta
Você precisará de três galhos de murta.
Uma murta casher tem um padrão de três folhas que saem do mesmo ponto no galho. Este padrão de três folhas deve ser repetido acima de pelo menos metade do comprimento do galho.
Cada galho deve ter pelo menos 11 polegadas (29 cm).
O galho não pode estar seco.
Arava - sem perfume nem paladar, mas resistente a intempéries, representa os indivíduos teimosos que não possuem inteligência e não se esforçam para melhorar. Salgueiro
Você precisará de dois galhos de salgueiro.
O talo deve estar, de preferência, vermelho.
O talo deve ter pelo menos 11 polegadas (29 cm).
As folhas deviam ser retangulares e não redondas em sua forma.
As folhas devem ter uma extremidade lisa, não serrada
A hora das crianças
Em Sucot, uma atividade divertida para fazer com as crianças é decorar a Sucá. Você pode pendurar frutas e vegetais coloridos, cartazes, correntes, o que sua imaginação inventar. Abaixo ensinamos como fazer uma espiral colorida:
Pegue uma folha de papel colorido e comece a desenhar um círculo no centro, mas ao invés de completá-lo, transforme-o em uma espiral e continue com ela até alcançar as bordas do papel. Termine a espiral com uma ponta. Então corte acompanhando a linha desenhada. Faça um pequeno furo no centro do papel e passe por ele um fio (naylon ou barbante), para pendurar o enfeite.
ME LEMBRO MUITO BEM QUANDO EU ERA CRIANÇA NA MESMA ESCOLA, NA ÉPOCA DE SUCOT, JUNTAVAMOS TAMPINHAS, PALITOS, TUDO QUE PODÍAMOS PARA COM NOSSA CRIATIVIDADE MONTAR A SUCÁ.
LEMBRANÇAS QUE LEVAMOS PARA O RESTO DA VIDA. DEPOIS QUANDO MEUS FILHOS PASSARAM PELA MESMA ESCOLA, QUANDO PEQUENOS, EU AJUDAVA A FAZER AS SUCÁS.
YOM KIPUR
O Dia do Perdão Judaico
Para falarmos de Yom Kipur temos que citar Rosh Hashana, porque são as festas mais importantes dos Judeus, além do Yom Kipur ser 10 dias após Rosh Hashaná.
Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, é observado no primeiro e no segundo dias de Tishrei, o sétimo mês do calendário judaico. Esse ano, 2006, caiu em 22 (véspera), 23 e 24 de setembro.
"Que você seja inscrito no Livro da Vida"
Esta é a saudação usual durante esse período e, acredita-se, que, em Rosh Hashaná, o destino da humanidade seja registrado por "D'us¹ no Livro da Vida
No Yom Kipur, o livro é fechado e lacrado. Um Ano Novo bom e feliz é concedido àqueles que se arrependeram dos seus pecados.
O Yom Kipur é o dia mais solene judaísmo. É o tempo em que se eleva a alma para perto do Trono e Balança Divina. É o início de um dia de jejum e abstinência, quando o material se submete ao espiritual e cada judeu vai examinar seus atos e buscar perdão pelos erros que cometeu contra D'us. É um dia de arrependimento e perdão.
Torah
Sem a possibilidade do arrependimento, o mundo não poderia existir, já que ao criar o homem com o livre arbítrio - a liberdade de escolha entre o bem e o mal - D'us deu-lhe a possibilidade de errar, de se afastar Dele. Mas ofereceu-lhe, também, a possibilidade de voltar para Ele, a possibilidade de mudar o curso de sua vida, de arrepender-se, de "aproximar-se de D'us, afastando-se do pecado," de fazer teshuvá (arrependimento, retorno ao bem). O Talmud afirma que "Sete elementos foram criados antes do universo, entre os quais a Torá e o arrependimento..." (Nedarim 39b). Portanto, antes mesmo de ser criado, D'us deu ao homem, elemento fundamental de toda a Criação, a possibilidade de se afastar de seus erros. Segundo nossos sábios, a eficácia do arrependimento, do retorno a D'us, está acima da lógica humana.
No calendário hebreu, o Yom Kippur começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebreu de Tishrei (o que coincide com setembro ou outubro), continuando até ao seguinte pôr do sol. Esse ano, 2006, a véspera de Yom Kipur caiu no dia 01/10 e foi até 02/10 passado.
Durante um longo ano, comete o homem toda sorte de erros, atropelos, voluntários, involuntários. O processo da teshuvá não poderá realizar-se magicamente em um dia.
Shofar
O Yom Kipur é o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel. Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. É permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar eletricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de 9 anos, pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram a luz há menos de trinta dias.
Se uma pessoa, enquanto estiver jejuando, passar mal a ponto de quase desmaiar, deve-se lhe dar comida até que se recupere. Se houver perigo de uma epidemia e os médicos da cidade aconselharem que é necessário comer a fim de resistir à moléstia, exige-se que todos comam.
Observa-se, também, que as más ações ou transgressões têm duas polaridades: uma do homem em relação ao homem e a outra do homem em relação a Deus. A primeira é a da vida diária, exterior, social e inter-humana. A outra, do âmbito da alma, é o segredo da consciência. A primeira é coisa de homens e os homens têm de resolvê-la: "As transgressões que vão de homem a homem, não são espiadas pelo Yom Kippur se, antes, não forem perdoadas pelo próximo ".
Daí que se costuma pedir, previamente, o perdão de nossos semelhantes, se eles não perdoam, Deus não poderá intervir.
A proibição mais forte no Yom Kipur é relacionada à comida - Comer (desde um pouco antes do pôr-do-sol de Domingo (dia 01), até o nascer das estrelas da segunda-feira, (dia 02) Essa, como outras proibições, tem como essência causar aflições ao corpo dando prioridade a alma
A GASTRONOMIA DE YOM KIPUR
Carpa
Enquanto o Yom Kipur é dedicado ao jejum, o dia anterior é dedicado a comer. De acordo com o Talmud, a pessoa "que come no nono dia de Tishrei (e jejua no décimo), é como se tivesse jejuado em ambos os dias, o nono e o décimo". Também as orações são minimizadas para que os judeus possam se concentrar em comer e se preparar para o jejum.
No dia que precede o Yom Kipur, recomenda-se que se coma mais que o habitual para se fazer face ao jejum, evitando-se alimentos excessivamente salgados ou condimentados que provoquem sede excessiva, pois ao começar o jejum, além de não se comer, não se bebe água até o término.
Alguns quebram o jejum ainda na sinagoga com bolo de nozes e mel.
Os Ashkenazim costumam quebrar o jejum com um caldo de galinha quente acompanhado de Kreplach recheado de frango, chá, arenque, galinha assada, etc.
Burekas
Os Sefaradim são mais adeptos do lanche, que pode se iniciar com um suco de frutas. São também colocados à mesa Burekas, pastas de queijo. azeitonas. biscoitos, pãezinhos e, as vezes, caldo de galinha.
No Marrocos, é mais usual se preparar um cuscuz de galinha, além de galinha ensopada com grão de bico e uma rica sopa com todos os vegetais, que alguns denominariam como Harira, da qual os muçulmanos fazem uso também no jejum de Ramadâ.
Blintzes
Em casa, o jantar tradicional começa com um peixe defumado ou marinado: a salinidade faz com que se tome mais líquidos e re-hidrata o organismo mais rapidamente.
Alguns grupos da Europa central, costumam, neste dia, fazer uma refeição láctea: lokshem kugel (bolo de macarrão) ou as blintzes (panquecas) de queijo. Em quase todas as casas há, também, um prato de galinha.
Outro costume envolve os judeus da Turquia. No jantar de "quebra-jejum", costumam servir huevos haminados (ovos cozidos por um processo especial que leva mais de 6 horas). O ovo sempre foi o símbolo da vida e da continuidade para muitos povos antigos. Diz a lenda turca que, se você dividir um huevo haminado com alguém, um ficará com raiva do outro até o fim do próximo ano.
Kreplach
Os judeus Sefaradi (do Oriente e da Península Ibérica) têm o couscous como prato de cerimônia para as festas de fim de ano. Comem acelga para remover os inimigos do caminho, a vagem de metro para aumentar as bênçãos recebidas, o doce de abóbora em pedaços para pedir que os nossos pecados sejam também reduzidos a pedaços e a romã para que nossas virtudes se multipliquem como suas sementes.
Curiosidade: Existiram 2 grandes comunidades judaicas na Índia, a de Bombaim e a de Calcutá. As receitas de ambas eram iguais na essência, mas tudo o que era feito com carne em Bombaim, era feito com frango em Calcutá: a comunidade de Bombaim tinha um shohet, ou seja, um rabino habilitado a abater animais segundo os rituais kasher (o código religioso sanitário que diz o que o povo judeu pode comer e o que não pode). Assim, a comunidade de Calcutá só comia carne quando o Shohet para lá viajava.